No modelo típico de marketplace (3P), a loja é a vendedora e emite a NF-e ao consumidor com seu CNPJ e Inscrição Estadual; a plataforma emite uma nota de serviço pela comissão de intermediação. No modelo de venda direta (1P), o próprio marketplace revende e emite a nota. No Simples Nacional, a comissão da plataforma não reduz o imposto, porque o DAS incide sobre o faturamento bruto, por isso ela precisa entrar na precificação. O ICMS é, em regra, da loja, mas cresce a corresponsabilidade das plataformas, tendência ampliada pela Reforma Tributária. O essencial é emitir nota em toda venda e conciliar os repasses.
Os marketplaces são o principal canal de vendas de muitos e-commerces, mas também a maior fonte de confusão fiscal. Quem emite a nota? A comissão abate imposto? O marketplace recolhe o ICMS? Lojistas de Campinas, Americana e região perdem margem por não entender essas regras. Vamos esclarecer cada uma.
Neste artigo
1. Quem emite a nota no marketplace
A dúvida número um. No modelo mais comum, chamado 3P (marketplace), a loja é a vendedora e a plataforma apenas intermedeia a venda e a logística. Nesse caso, é a loja que emite a NF-e ao consumidor, com o seu CNPJ e a sua Inscrição Estadual como emitente.
Existe também o modelo 1P (venda direta), em que o próprio marketplace compra a mercadoria e a revende, emitindo a nota como vendedor. Nesse caso, a loja vende para a plataforma, não para o consumidor final. Saber em qual modelo você opera é o primeiro passo para emitir nota corretamente, porque define quem é o emitente perante o consumidor.
2. As comissões da plataforma
Todo marketplace cobra uma comissão sobre a venda, além de eventuais taxas de publicidade e logística. A plataforma emite uma nota de serviço referente a essa intermediação. E aqui está o ponto que mais custa dinheiro ao lojista desavisado.
No Simples Nacional, essa comissão não reduz o imposto. O DAS incide sobre o faturamento bruto da venda, ou seja, sobre o valor total que o cliente pagou, e não sobre o que sobrou depois da comissão. Então, se você vende um produto por R$ 100 e o marketplace fica com R$ 15 de comissão, o imposto é calculado sobre os R$ 100, não sobre os R$ 85. Por isso, precificar considerando a comissão é indispensável para não vender no prejuízo.
3. ICMS e a responsabilidade do marketplace
No modelo típico, o ICMS da venda é de responsabilidade da loja vendedora, recolhido dentro do DAS (para quem está no Simples e abaixo do sublimite). A plataforma não substitui a loja nessa obrigação de forma automática.
Dito isso, há uma tendência crescente de as plataformas assumirem corresponsabilidade pelo recolhimento de tributos em determinadas situações, e de terem obrigações de informar as operações ao fisco. A Reforma Tributária reforça esse movimento ao ampliar as responsabilidades das plataformas digitais na nova sistemática. É um cenário em evolução, e acompanhar as regras do seu estado e as mudanças da Reforma evita surpresas.
4. Cuidados na operação
Alguns cuidados práticos fazem toda a diferença para quem vende em marketplace:
- Emitir NF-e em toda venda: sem exceção, independentemente do valor. Os marketplaces cada vez mais exigem e integram a emissão fiscal.
- Conciliar os repasses: cruzar as notas emitidas com os relatórios de vendas, comissões e valores repassados pela plataforma.
- Declarar o faturamento bruto: o valor da venda ao consumidor, não o líquido após comissão.
- Controlar múltiplos canais: consolidar as vendas de todas as plataformas em uma única escrituração.
Falhar em qualquer um desses pontos gera divergência entre o que o fisco vê e o que a loja declara, e é aí que nascem as autuações.
5. Como organizar a contabilidade
Vender em marketplace é vender em escala, muitas vezes em vários canais ao mesmo tempo. Isso significa dezenas ou centenas de notas, comissões variáveis e prazos de repasse diferentes. Sem um processo organizado, o lojista perde o controle do que realmente fatura e do que deve.
A Wetax estrutura esse processo para e-commerces do interior de São Paulo: define a emissão correta de notas, monta a conciliação entre plataformas, garante que o faturamento declarado esteja certo e acompanha as mudanças de responsabilidade das plataformas. Assim, você foca em vender, e a parte fiscal fica sob controle. Fale com a gente para colocar sua operação em ordem.
Perguntas frequentes
Quem emite a nota fiscal na venda por marketplace?
A comissão do marketplace abate imposto no Simples?
O marketplace recolhe o ICMS por mim?
Preciso emitir nota mesmo vendendo pouco em marketplace?
Como concilio as vendas e repasses do marketplace?
Vender em vários marketplaces muda a tributação?
Resumo estratégico
- No modelo 3P a loja emite a NF-e; no 1P quem emite é o próprio marketplace.
- A comissão da plataforma não reduz o DAS, que incide sobre o faturamento bruto.
- O ICMS é, em regra, da loja, mas cresce a corresponsabilidade das plataformas.
- Emitir nota em toda venda e conciliar repasses evita autuação.
- Vender em vários canais exige consolidar tudo em uma escrituração única.
Declarar o valor líquido
Informar o faturamento já descontada a comissão subestima a receita e gera divergência com o fisco.
Vendas sem nota
Deixar qualquer venda sem NF-e cria diferença entre o repasse da plataforma e o que foi declarado.
Não conciliar canais
Sem consolidar as plataformas, o lojista perde o controle do faturamento real e do imposto devido.
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Referências
- Lei Complementar 123/2006 e Resolução CGSN 140/2018 (base de cálculo do DAS sobre o faturamento bruto).
- Lei Complementar 116/2003 (ISS sobre serviços de intermediação cobrados pelas plataformas).
- Lei Complementar 214/2025 (novas obrigações das plataformas digitais na Reforma Tributária).
Nosso compromisso
As informações deste artigo têm caráter educativo e seguem a legislação vigente em 2026. As regras de responsabilidade das plataformas e de ICMS variam por estado e estão em evolução, por isso recomendamos uma análise individual. A Wetax atua com sigilo, em conformidade com a LGPD e com o Código de Ética do Contabilista.

Fabio Cesar Pavão
Contador • CRC/SP 1SP140034
Especialista em contabilidade digital e planejamento tributário para e-commerce e comércio do interior de São Paulo. Lidera a estratégia da Wetax com foco em segurança fiscal e economia legal.





