Para a maioria dos desenvolvedores PJ, o Simples Nacional com Fator R (Anexo III, a partir de 6%) é o regime mais vantajoso. O Lucro Presumido (lucro presumido de 32%, com IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS) pode compensar em faturamentos altos, folha baixa ou perto do teto do Simples. A decisão depende de faturamento, folha e despesas, e deve ser calculada caso a caso e revista a cada ano.
"Simples ou Presumido?" é a pergunta de ouro de todo dev PJ, e a resposta honesta é: depende. Depende de quanto você fatura, de quanto vira folha e das suas despesas. Veja a comparação prática, com os pontos em que cada regime vence, para você decidir com números. Este artigo faz parte do nosso guia de contabilidade para dev PJ.
Neste artigo
Como funciona o Simples
O Simples Nacional unifica os tributos num único DAS mensal, com alíquota efetiva calculada pela fórmula do anexo. Para o dev, o que importa é o anexo: serviços de programação ficam no Anexo V (15,5% inicial) ou, com Fator R, no Anexo III (6% inicial).
A vantagem é a simplicidade (um guia só) e, com o Fator R, a baixa carga. A alíquota sobe por faixas conforme o faturamento dos últimos 12 meses cresce, mas mesmo assim, no Anexo III, costuma ser muito competitiva para a faixa típica do dev.
Como funciona o Presumido
No Lucro Presumido, o fisco presume um lucro de 32% sobre a receita de serviços e tributa esse valor. Sobre os 32% incidem IRPJ (15%, com adicional de 10% sobre o que exceder o limite) e CSLL (9%).
À parte, sobre o faturamento, incidem PIS (0,65%) e COFINS (3%), além do ISS municipal (2% a 5%). Somando tudo, a carga efetiva costuma ficar na casa de 11,33% a ~16,33% do faturamento, dependendo do ISS, sem depender de Fator R. Esse ponto e importante: enquanto o Simples no Anexo V depende de voce nao atingir o Fator R, o Presumido entrega uma carga relativamente estavel independentemente da folha, o que o torna previsivel para quem tem pouca ou nenhuma retirada via pro-labore.
O peso do Fator R
O grande divisor de águas é o Fator R. Ele decide se o Simples joga no Anexo III (6%) ou no Anexo V (15,5%), e isso muda completamente a comparação.
Com Fator R (folha + pró-labore ≥ 28% do faturamento), o Simples no Anexo III quase sempre ganha do Presumido. Sem atingir o Fator R, no Anexo V, a carga do Simples (15,5% inicial) se aproxima ou supera a do Presumido, e aí o Presumido pode virar a melhor escolha. Por isso, calcular o pró-labore é o primeiro passo da decisão.
Simples x Presumido: o resumo
- Simples com Fator R (Anexo III): a partir de 6%; costuma vencer para a maioria dos devs.
- Simples sem Fator R (Anexo V): 15,5% inicial; aí o Presumido pode ser melhor.
- Lucro Presumido: ~11,33% a 16,33% (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS); bom para alto faturamento ou folha baixa.
Quando o Simples vence
O Simples com Fator R vence na maioria dos casos do dev PJ: faturamento dentro da faixa típica (até alguns milhões por ano), folha que atinge os 28% via pró-labore e vontade de ter simplicidade (um único DAS).
Para o dev solo ou com poucos sócios que se remunera via pró-labore, atingir o Fator R costuma ser viável, e aí a carga de 6% (mais lucros isentos) é difícil de bater. É o cenário mais comum, e o que faz o Simples ser o ponto de partida da análise.
Quando o Presumido vence
O Lucro Presumido ganha em três situações. Primeira: faturamento alto, em que as faixas superiores do Simples elevam a alíquota e o Presumido (com carga mais estável) sai na frente. Segunda: folha baixa, quando não dá para atingir o Fator R e o Simples ficaria no Anexo V (15,5%).
Terceira: empresa perto do teto do Simples (R$ 4,8 milhões/ano), que precisará migrar de qualquer forma. Nesses casos, a soma de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS no Presumido pode sair menor que o DAS, especialmente com ISS baixo. É uma conta que só fecha com simulação.
Como decidir
Não há atalho: a decisão certa vem de uma simulação com os seus números, faturamento, folha possível (pró-labore), despesas e ISS do seu município. O contador compara os cenários e mostra, em reais, qual regime paga menos.
E não é uma decisão para a vida toda: a opção é anual, então vale revisar todo ano, porque o melhor regime muda conforme a empresa cresce. Começar no Simples e migrar para o Presumido quando fizer sentido é um caminho comum, e saber a hora certa de mudar é parte do valor de uma boa contabilidade. Um erro comum e escolher o regime uma vez, na abertura, e nunca mais olhar: a empresa cresce, a folha muda, o faturamento sobe, e o que era otimo no primeiro ano vira caro no terceiro sem ninguem perceber. Por isso a melhor pratica e tratar a escolha do regime como uma decisao viva, revisitada a cada virada de ano com os numeros atualizados na mao.
Perguntas frequentes
Simples ou Lucro Presumido: qual é melhor para o dev PJ?
Quando o Lucro Presumido vale a pena para o dev?
Como funciona a tributação no Lucro Presumido para serviços?
O Fator R muda a comparação?
Posso trocar de regime depois?
Desde janeiro de 2026, a Lei 15.270/2025 passou a cobrar IRRF de 10% sobre lucros distribuídos a um mesmo sócio pessoa física acima de R$ 50 mil por mês por uma mesma empresa. Abaixo desse valor, a distribuição segue isenta, o que mantém a maioria das pequenas empresas fora da retenção. No Simples Nacional há controvérsia: a Receita cobra, mas o tema é discutido no STF. Entenda em pró-labore e distribuição de lucros.
Resumo estratégico
- Para a maioria dos devs, o Simples com Fator R (Anexo III, 6%) é o regime mais vantajoso.
- No Presumido, presume-se 32% de lucro (IRPJ + CSLL) mais PIS, COFINS e ISS: ~11,33% a 16,33%.
- O Fator R é o divisor de águas: com ele, o Simples ganha; sem ele (Anexo V), o Presumido compete.
- O Presumido vence em faturamento alto, folha baixa ou perto do teto do Simples.
- A decisão vem de simulação com seus números e deve ser revista todo ano.
Escolher sem simular
Decidir o regime "no feeling" pode custar milhares de reais por ano.
Ignorar o Fator R
Sem calibrar o pró-labore, o Simples pode ficar no Anexo V e perder para o Presumido.
Nunca rever o regime
O melhor regime muda com o crescimento; manter o mesmo por anos sai caro.
Simples ou Presumido? Descubra qual te faz pagar menos
A Wetax simula os dois regimes com os números da sua empresa de desenvolvimento no interior de São Paulo e mostra, em reais, qual paga menos, com a revisão anual para você nunca ficar no enquadramento errado.
Falar no WhatsApp Falar com a WetaxLeia também
Referências
- Lei Complementar 123/2006 (Simples Nacional, Anexos III e V, Fator R, teto de R$ 4,8 milhões).
- Lucro Presumido: presunção de 32% para serviços; IRPJ 15% (+adicional), CSLL 9%, PIS 0,65%, COFINS 3%.
- LC 116/2003 (ISS municipal, alíquotas de 2% a 5%).
Nosso compromisso
As informações deste artigo têm caráter educativo e seguem a legislação vigente em 2026. Cada empresa tem particularidades, por isso recomendamos uma análise individual. A Wetax atua com sigilo, em conformidade com a LGPD e com o Código de Ética do Contabilista.

Fabio Cesar Pavão
Contador • CRC/SP 1SP140034
Especialista em contabilidade digital para empresas do Simples Nacional, prestadores de serviços e desenvolvedores PJ no interior de São Paulo. Lidera a estratégia tributária da Wetax com foco em economia legal e segurança fiscal.




