O médico deve abrir empresa quando a renda torna o carnê-leão da pessoa física mais caro do que a carga de uma PJ. No carnê-leão, a alíquota do imposto de renda chega a 27,5% sobre a renda, com dedução de despesas pelo livro-caixa. Como PJ no Simples, o serviço é tributado a partir de 6% (Anexo III, com Fator R) ou 15,5% (Anexo V) sobre o faturamento, mais o pró-labore. Para a maioria dos médicos com renda recorrente, o ponto de virada chega cedo, e a PJ ainda ajuda a comprovar renda e a organizar a previdência.
Vale mais a pena continuar recebendo como pessoa física ou abrir uma empresa? Essa é a dúvida que define quanto imposto o médico paga por ano. Para o profissional de Campinas, Piracicaba e região, este guia compara o carnê-leão e a PJ e mostra como identificar o momento certo de mudar.
Neste artigo
1. Como funciona o carnê-leão
O carnê-leão é o recolhimento mensal do imposto de renda da pessoa física sobre valores recebidos de outras pessoas físicas ou do exterior, caso típico do médico autônomo que atende particular. Ele segue a tabela progressiva, com alíquota que chega a 27,5%.
Há um alívio: o livro-caixa permite deduzir despesas ligadas à atividade, como aluguel do consultório, secretária e materiais. Ainda assim, para rendas mais altas, a carga efetiva costuma ser pesada, porque incide sobre a renda da pessoa física sem a lógica de faturamento da empresa.
2. Como funciona a tributação como PJ
Como pessoa jurídica no Simples Nacional, o médico é tributado sobre o faturamento, não sobre a renda pessoal. Com o Fator R a favor, o serviço entra no Anexo III (a partir de 6%); sem ele, no Anexo V (a partir de 15,5%). A isso soma-se o pró-labore, que gera INSS e IR na fonte.
Para quem fatura de forma recorrente, a soma da alíquota do Simples com o pró-labore costuma ficar bem abaixo dos 27,5% do carnê-leão. É essa diferença que faz a PJ valer a pena, desde que a empresa seja bem estruturada.
3. O ponto de virada: quando abrir empresa
Não existe um número mágico igual para todos. O ponto de virada depende da renda, das despesas dedutíveis no livro-caixa e dos planos do profissional. Rendas baixas, com muitas despesas, podem ainda caber no carnê-leão; rendas recorrentes e crescentes quase sempre pedem PJ.
Na prática, para a maioria dos médicos com agenda estável, a empresa passa a compensar a partir de poucos milhares de reais por mês. O jeito certo de decidir é simular os dois cenários com números reais, e não no achismo. É exatamente esse comparativo que a contabilidade faz antes de qualquer abertura.
4. Além do imposto: renda, crédito e INSS
A decisão não é só sobre alíquota. Como PJ, o médico formaliza receita e pró-labore, o que facilita a comprovação de renda para financiamentos e crédito, muitas vezes difícil para o autônomo.
O pró-labore também organiza a previdência, com contribuição ao INSS, e permite planejar a distribuição de lucros, isenta de imposto de renda até R$ 50 mil por mês por sócio, conforme a Lei 15.270/2025. São vantagens que, somadas à economia tributária, reforçam o caso da empresa para quem tem renda recorrente.
5. Erros ao decidir
- Comparar só a alíquota. A conta certa inclui pró-labore, INSS e despesas, não apenas o percentual do Simples.
- Abrir empresa cedo demais. Com renda baixa e muitas despesas, o carnê-leão ainda pode ser melhor.
- Adiar a decisão por anos. Manter renda alta no carnê-leão custa imposto que não volta.
- Achar que médico pode ser MEI. A medicina é regulamentada e fora do MEI; a PJ é uma empresa comum.
O erro comum é decidir sem simular. Com o comparativo em mãos, o médico escolhe o caminho mais barato e seguro para o seu momento.
Perguntas frequentes
O que é o carnê-leão?
Quanto o médico paga como pessoa física?
Quanto o médico paga como PJ?
Qual o ponto de virada entre carnê-leão e PJ?
Abrir PJ ajuda a comprovar renda?
Médico pode ser MEI para pagar menos?
Resumo estratégico
- No carnê-leão, o médico paga imposto de renda de até 27,5% sobre a renda, com livro-caixa.
- Como PJ no Simples, paga a partir de 6% (Anexo III) ou 15,5% (Anexo V) sobre o faturamento, mais pró-labore.
- O ponto de virada depende da renda e das despesas; costuma chegar cedo para quem tem renda recorrente.
- A PJ ainda ajuda a comprovar renda e a organizar a previdência via pró-labore.
- Médico não pode ser MEI; a alternativa é abrir empresa no Simples ou no Lucro Presumido.
Comparar só a alíquota
Ignorar pró-labore, INSS e despesas distorce a conta e leva a uma decisão errada.
Adiar a abertura por anos
Manter renda alta no carnê-leão custa imposto que poderia ser economizado com a PJ.
Decidir no achismo
Sem simular os dois cenários com números reais, o médico corre o risco de escolher o caminho mais caro.
Carnê-leão ou PJ? Descubra o que é mais barato para você
A Wetax simula os dois cenários com os seus números e indica o caminho que paga menos imposto, com segurança e comprovação de renda.
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Referências legais
- Lei 9.250/1995 e tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física (carnê-leão; alíquota até 27,5% e livro-caixa).
- Lei Complementar 123/2006, art. 18 (tributação do serviço de saúde no Simples Nacional e Fator R).
- Lei 15.270/2025 (isenção da distribuição de lucros até R$ 50 mil por mês por sócio).
Nosso compromisso
As informações deste artigo têm caráter educativo e seguem a legislação vigente em 2026. Cada profissional tem particularidades, por isso recomendamos uma análise individual antes de decidir entre carnê-leão e PJ. A Wetax atua com sigilo, em conformidade com a LGPD e com o Código de Ética do Contabilista.

Fabio Cesar Pavão
Contador • CRC/SP 1SP140034
Especialista em contabilidade digital para empresas do Simples Nacional, prestadores de serviços e profissionais da saúde no interior de São Paulo. Lidera a estratégia tributária da Wetax com foco em economia legal e segurança fiscal.





