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Imposto Seletivo (IS): O que É e Quem Paga na Reforma Tributária

Por Fabio Cesar Pavão24 de março de 2026 9 min de leitura
Imposto Seletivo (IS): O que É e Quem Paga na Reforma Tributária
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1. O que é o Imposto Seletivo

Vamos começar pelo conceito. O Imposto Seletivo (IS) foi criado pela Emenda Constitucional 132/2023 com um objetivo declarado: desestimular o consumo de bens e serviços considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Daí o apelido "Imposto do Pecado": a ideia é encarecer aquilo que faz mal (como cigarro e bebida), usando o tributo como instrumento de política pública, não apenas de arrecadação. É um conceito comum em vários países (os chamados "sin taxes").

Em termos de estrutura: o IS é de competência da União, administrado diretamente pela Receita Federal. Ele é seletivo por natureza, ou seja, não incide sobre tudo, mas sobre itens escolhidos. E é justamente essa lista que determina quem paga, vamos a ela.

2. Sobre o que ele incide (e o que não)

Este é o ponto que mais importa para você saber se o IS afeta ou não o seu negócio. A lista de itens tributados é específica e restrita.

O Imposto Seletivo incide sobre: bebidas alcoólicas; cigarros e produtos de tabaco; bebidas açucaradas; veículos, embarcações e aeronaves poluentes (exceto caminhões); bens minerais extraídos (como petróleo e minério); e concursos de prognósticos (apostas e loterias). Importante: armas e munições foram retiradas do texto final aprovado pelo Senado.

E o que NÃO está na lista? Praticamente tudo o mais: serviços em geral, tecnologia, software, comércio comum, alimentos (não açucarados), vestuário, e a imensa maioria dos produtos e atividades. Um detalhe revelador: um cigarro terá IBS + CBS + IS; um pacote de arroz terá apenas IBS + CBS, sem Imposto Seletivo. A diferença está na natureza do produto.

3. Como funciona: IPI, calendário e alíquotas

Para quem é afetado (ou apenas quer entender o mecanismo), vale conhecer como o IS funciona. Há três pontos técnicos importantes.

Substituição do IPI: o Imposto Seletivo ocupa o espaço deixado pelo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que será reduzido a zero até 2027 e extinto em 2033 (com exceção da Zona Franca de Manaus). Calendário: 2026 é fase de testes; a cobrança plena começa em janeiro de 2027, com aumento progressivo entre 2029 e 2032.

Alíquotas: não há uma alíquota única. Por ser seletivo, as alíquotas variam por categoria, conforme o grau de prejuízo de cada item, e são definidas em lei complementar. O IS é não cumulativo (incide sobre o valor agregado) e incide além do IBS e da CBS sobre os itens tributados. A apuração é eletrônica, integrada às notas fiscais.

4. O que muda para a maioria das empresas

Agora, a mensagem tranquilizadora para a maior parte dos empresários, especialmente os clientes típicos de uma contabilidade como a nossa: prestadores de serviços, profissionais de TI, comércios comuns e MEIs.

Para esses negócios, o Imposto Seletivo simplesmente não se aplica. Se você presta serviços, desenvolve software, gerencia uma agência, tem um comércio de produtos comuns ou é MEI, o IS não entra na sua conta. O que realmente importa para você na Reforma são o IBS e a CBS.

Então, se o apelido "Imposto do Pecado" te deixou preocupado, pode relaxar: a menos que você fabrique ou comercialize bebidas, cigarros, veículos poluentes ou itens semelhantes, ele não muda nada para você. É um imposto direcionado, e o seu negócio provavelmente está fora do alvo. Foque no que de fato te afeta.

5. O que fazer agora

Sabendo de tudo isso, qual a atitude certa em relação ao Imposto Seletivo? Depende de onde o seu negócio se encaixa, e na maioria dos casos é simples.

Se você não está nos setores tributados (a situação da maioria): nenhuma ação específica é necessária quanto ao IS, concentre-se em entender o IBS e a CBS, que sim afetam você. Se você está em um setor afetado (bebidas, tabaco, veículos, mineração): aí é essencial mapear o impacto, ajustar sistemas e planejar com antecedência, porque o IS pode pesar.

De um jeito ou de outro, o papel da Wetax é dar clareza: dizer, para cada cliente do interior de São Paulo, exatamente o que a Reforma muda no seu caso, sem alarmismo nem tecnicismo desnecessário. Para a maioria, a conversa sobre o Imposto Seletivo termina com um alívio; e saber disso com segurança já vale muito.

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