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CBS para Empresas do Lucro Presumido: O que Muda na Prática

Por Fabio Cesar Pavão17 de março de 2026 10 min de leitura
CBS para Empresas do Lucro Presumido: O que Muda na Prática
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1. O que NÃO muda (IRPJ e CSLL)

Vamos começar pela boa notícia, que traz tranquilidade: a essência do Lucro Presumido continua igual. O regime não acaba e a sua lógica principal permanece.

O IRPJ (Imposto de Renda) e a CSLL (Contribuição Social) seguem sendo apurados por presunção sobre a receita bruta, exatamente como antes. A Reforma (EC 132/2023 e LC 214/2025) não mexeu nessa sistemática. O regime de Imposto de Renda (Real, Presumido ou Simples) é independente dos tributos sobre consumo.

Ou seja: a parte do Lucro Presumido que faz dele um regime simples e previsível para o Imposto de Renda continua. Você não vai precisar repensar o regime de IR por causa da Reforma. O que muda está em outra camada, a dos tributos sobre consumo, e é aí que mora a atenção.

2. O que muda: PIS/COFINS vira CBS

Agora a parte que muda profundamente. Hoje, a empresa do Lucro Presumido paga PIS e COFINS no regime cumulativo: uma alíquota conjunta de 3,65% sobre o faturamento, sem direito a crédito.

Com a Reforma, o PIS e a COFINS serão extintos (em 2027) e substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A grande diferença: a CBS é não cumulativa (permite crédito) e terá uma alíquota cheia estimada em torno de 8,8%, bem maior que os 3,65% atuais. O ICMS e o ISS também darão lugar ao IBS, gradualmente.

O calendário: em 2026, a CBS é cobrada em alíquota teste (0,9%), sem aumento real (compensada com o PIS/COFINS atual). Em 2027, PIS/COFINS são extintos e a CBS entra cheia. É a partir daí que o impacto real aparece, e é preciso entender o jogo do crédito.

3. O impacto: crédito e a armadilha dos serviços

Aqui está o ponto-chave, e onde mora uma armadilha para quem presta serviço. A CBS ser não cumulativa parece ótimo (você credita o imposto das compras), mas o benefício depende de quanto crédito você tem.

Para a indústria (que compra muitos insumos), o crédito é generoso e a carga pode até cair. Mas para serviços, a história é diferente: o maior custo de quem presta serviço é a mão de obra, e folha de pagamento não gera crédito. Com poucos insumos creditáveis e uma alíquota maior (8,8% vs 3,65%), a carga pode aumentar.

É preciso dizer isso com franqueza: empresas de serviço no Lucro Presumido podem ter aumento de carga na camada de consumo após 2027. Não é regra universal (depende da estrutura de cada empresa), mas é um risco real que precisa entrar no planejamento. Veja como o crédito de IBS/CBS funciona para serviços.

4. O lado positivo: gerar crédito

Para não ficar só na preocupação, há um lado positivo concreto na mudança, especialmente para quem vende para outras empresas.

No sistema atual (cumulativo), a empresa do Lucro Presumido não gera crédito para os seus clientes, o PIS/COFINS que ela paga fica pelo caminho. Com a CBS não cumulativa, isso muda: a empresa passa a gerar crédito de CBS/IBS para quem compra dela.

Para clientes que são empresas do regime normal, esse crédito vale dinheiro. Isso pode tornar a sua empresa mais competitiva no B2B: fornecedores que dão crédito cheio são preferidos. Ou seja, dependendo do seu perfil de cliente, a mudança traz uma vantagem que compensa parte do desafio. É preciso olhar os dois lados.

5. O que fazer agora

Diante desse cenário de duas faces, qual a atitude inteligente? Antecipar-se e simular, em vez de ser pego de surpresa em 2027.

O caminho passa por: mapear a sua estrutura de custos (quanto gera crédito, quanto é folha), entender o seu perfil de cliente (B2B que aproveita crédito ou consumidor final), simular a carga pós-2027 e, com base nisso, revisar precificação e até reavaliar o regime (Presumido vs Real vs Simples pode mudar de patamar com a Reforma).

É exatamente esse diagnóstico que a Wetax faz com as empresas do Lucro Presumido no interior de São Paulo: simular o impacto real da CBS no seu caso, identificar riscos e oportunidades e definir a melhor estratégia. A camada de consumo da Reforma é complexa, mas, para quem se antecipa, ela é administrável, e pode até virar vantagem.

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