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Reforma Tributária

Como a Reforma Tributária Afeta Desenvolvedores no Interior de SP em 2026

Por Fabio Cesar Pavão03 de outubro de 2025 12 min de leitura
Como a Reforma Tributária Afeta Desenvolvedores no Interior de SP em 2026
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1. O que é a Reforma, em uma página

A Reforma Tributária do consumo (EC 132/2023 e LC 214/2025) substitui cinco tributos, PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS, por um IVA Dual: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), além de um Imposto Seletivo para itens específicos. O objetivo é simplificar e acabar com o efeito cascata, tributando no destino e gerando crédito ao longo da cadeia.

A mudança não acontece de uma vez. Há um cronograma de transição que vai de 2026 a 2033. Em 2026, é só um ensaio; em 2027, PIS e COFINS são extintos e a CBS entra com alíquota cheia; entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos gradualmente e o IBS sobe; em 2033, o sistema novo está completo. A alíquota de referência do IVA é estimada em torno de 26,5% a 28%.

Para o desenvolvedor, a boa notícia é que o Simples Nacional foi preservado: IBS e CBS serão recolhidos dentro do DAS, com alíquotas reduzidas. O regime continua existindo, e a maior parte da lógica de planejamento que você já conhece (Fator R, exportação, escolha de regime) segue válida.

2. O que muda (e o que não muda) em 2026

O ponto que mais gera confusão: 2026 é fase de testes. Desde 1º de janeiro, as notas fiscais já trazem campos para CBS e IBS, com alíquotas simbólicas de 0,9% e 0,1%. Mas esse 1% é integralmente compensado com o PIS/COFINS que a empresa já paga: o desembolso total não aumenta em 2026. Para ter o resumo do que de fato muda para quem é da tecnologia, assista ao vídeo abaixo: menos de 3 minutos, direto ao ponto:

Assista: Como a reforma tributária pode afetar empresas de tecnologia

E para quem está no Simples Nacional? Melhor ainda: as empresas optantes e os MEIs estão dispensadas do recolhimento das alíquotas-teste em 2026. Na prática, o desenvolvedor PJ no Simples não paga CBS e IBS neste ano e só passará a destacá-los a partir de 2027.

Então 2026 "não muda nada"? Não é bem assim. As obrigações acessórias chegam antes do imposto: os sistemas de emissão precisam estar prontos para os novos campos, e a classificação fiscal correta passa a ser monitorada. É um ano para ajustar a casa antes que o peso chegue.

3. Devs que fazem sistemas: a obrigação técnica

Há um recorte que afeta os desenvolvedores duas vezes: como empresários e como autores dos sistemas. Quem desenvolve ou mantém ERPs, emissores de NF-e e NFS-e ou qualquer software que toque em documento fiscal tem uma tarefa técnica imediata.

Os emissores precisam ser adaptados para incluir os campos de IBS e CBS no XML, conforme a Nota Técnica 2025.002. O ambiente de homologação está disponível, e a recomendação é testar agora: sistemas desatualizados podem ter notas rejeitadas quando a obrigatoriedade plena entrar em vigor, o que trava o faturamento dos clientes.

Para a software house, isso é ao mesmo tempo um risco (não se adaptar) e uma oportunidade: clientes vão precisar de quem entenda os novos leiautes. Quem domina a parametrização do IVA Dual sai na frente, e ainda transforma a Reforma em argumento de venda.

4. O ponto honesto: serviços podem pagar mais

Aqui está a parte que muitos evitam dizer. A Reforma não afeta todos os setores igualmente. Indústria e comércio tendem a ganhar com a não cumulatividade plena, porque compram muitos insumos que passam a gerar crédito. Já o setor de serviços, especialmente o intensivo em mão de obra, pode perder.

O motivo é técnico: no IVA Dual, quase toda despesa gera crédito, menos a folha de pagamento. Como uma empresa de desenvolvimento tem na mão de obra seu principal custo e poucos insumos creditáveis, ela acumula menos crédito para abater. Por isso, a partir de 2027, parte do setor de serviços pode sentir aumento de carga.

Isso não é motivo para pânico, mas para planejamento. O tamanho do impacto depende do regime, da estrutura de custos e do tipo de cliente. Simular cenários para a transição, a partir de agora, é o que permite reposicionar a empresa antes que a conta chegue, em vez de reagir depois. Veja o panorama geral em o que os empresários precisam saber sobre a Reforma.

5. Crédito menor do Simples e clientes B2B

Há um efeito mais sutil, mas estratégico, para quem vende de empresa para empresa. No novo modelo, o cliente que compra de você aproveita o crédito de IBS e CBS destacado na nota. O problema: empresas do Simples Nacional geram um crédito menor do que as do regime geral.

Para um desenvolvedor que atende grandes clientes (que estão no Lucro Real ou Presumido), isso pode entrar na conta de compra: comprar de um fornecedor do Simples pode significar menos crédito para o tomador. Em alguns casos, isso pressiona preço ou até a escolha do fornecedor.

Não significa que o Simples deixou de valer a pena, longe disso. Significa que, dependendo do perfil da sua carteira, vale simular se o regime ainda é o ótimo a partir de 2027, ou se uma mudança de regime preserva sua competitividade com clientes B2B. É uma conta nova que entrou no jogo.

6. O que fazer agora

O resumo prático para 2026 é direto. Primeiro, não entre em pânico: neste ano não há aumento de carga e o Simples está dispensado das alíquotas-teste. Segundo, ajuste os sistemas de emissão para os novos campos, se você emite ou desenvolve notas fiscais.

Terceiro, simule a transição: entenda como sua empresa fica a partir de 2027, considerando custos, regime e tipo de cliente. Quarto, mantenha o planejamento de sempre afiado, Fator R, exportação, escolha de regime, porque ele continua sendo a base. Veja o planejamento tributário 2026 para TI.

A Reforma é a maior mudança tributária em décadas, mas ela recompensa quem se prepara. O trabalho da Wetax com desenvolvedores e software houses no interior de São Paulo é exatamente esse: traduzir a Reforma para a sua realidade, simular cenários e manter você no caminho de menor carga a cada fase da transição.

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