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Simples Nacional na Reforma Tributária 2026: O que Muda (e o que Não)

Por Fabio Cesar Pavão15 de janeiro de 2026 10 min de leitura
Simples Nacional na Reforma Tributária 2026: O que Muda (e o que Não)
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1. O Simples foi preservado

Comecemos pela notícia mais importante: o Simples Nacional foi expressamente preservado pela Reforma Tributária. Houve muito medo de que o regime fosse extinto ou descaracterizado, e isso não aconteceu.

O texto da Reforma (EC 132/2023 e LC 214/2025) manteve o Simples como um regime à parte, com o seu recolhimento unificado no DAS. Para as micro e pequenas empresas, isso significa que a simplicidade que motivou a escolha do regime continua.

Então, antes de tudo, respire: você não vai acordar em 2027 tendo que lidar com toda a complexidade do novo sistema da mesma forma que uma grande empresa. O Simples blinda você de boa parte disso. O que muda são detalhes e uma escolha, e é isso que veremos.

2. O que muda em 2026 (quase nada)

Para 2026 especificamente, a resposta é direta: na prática, quase nada muda para quem é do Simples. 2026 é o ano-teste da Reforma, um período de adaptação.

Neste ano, vigora uma alíquota simbólica de 1% (sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS) sobre as operações, com campos novos na nota fiscal. Mas, e este é o ponto, as empresas do Simples Nacional estão dispensadas desse recolhimento em 2026. Você não precisa pagar essa alíquota-teste.

Ou seja, o seu DAS continua sendo calculado e pago como sempre. A recomendação para 2026 é apenas se informar e, com ajuda do contador, entender o que vem pela frente, para chegar em 2027 preparado para a escolha que realmente importa. Veja o que muda na nota fiscal em 2026.

3. A escolha estratégica de 2027

É a partir de 2027 que surge a novidade mais relevante para o Simples: uma escolha estratégica. A empresa poderá optar, a cada semestre, por duas formas de lidar com o IBS e a CBS.

Opção 1, dentro do DAS: recolher o IBS e a CBS junto com os demais tributos, no DAS unificado, com alíquotas reduzidas. É o caminho mais simples, mantém a praticidade do Simples. Opção 2, por fora: apurar o IBS e a CBS separadamente, pelo regime regular, como uma empresa do Lucro Presumido faria.

Por que alguém escolheria a opção mais complexa (por fora)? Por causa do crédito, e esse é o ponto que decide tudo para muitas empresas. Vamos entender.

4. Dentro ou fora do DAS: o crédito

O coração da Reforma é o sistema de créditos: cada empresa na cadeia credita o imposto pago na etapa anterior, evitando o efeito cascata. E aqui está o para o Simples.

Quando a empresa do Simples recolhe IBS/CBS dentro do DAS (opção simples), ela gera um crédito reduzido para os clientes. Quando recolhe por fora (regime regular), gera crédito integral. Para clientes que são empresas do regime normal, esse crédito vale dinheiro.

Tradução prática: se os seus clientes são consumidores finais ou outras empresas do Simples, a opção dentro do DAS (simples) costuma ser a melhor. Mas se você vende para empresas grandes que aproveitam crédito, apurar por fora pode tornar você mais competitivo (elas preferem fornecedores que dão crédito cheio), mesmo com a complexidade extra. É uma decisão que depende do seu perfil de cliente.

5. O que continua igual

Para encerrar a parte das mudanças, é importante destacar o que não muda, porque é muita coisa. Toda a lógica interna do Simples Nacional permanece.

O Fator R continua definindo se a sua atividade de serviços fica no Anexo III (mais barato) ou no Anexo V. Os anexos e suas alíquotas seguem valendo. A segregação de receitas de exportação (que é imune) continua. O pró-labore, a distribuição de lucros, tudo isso segue.

Em outras palavras: o planejamento tributário que você já faz dentro do Simples continua válido. A Reforma acrescenta a camada do IBS/CBS por cima, com a escolha de 2027, mas não joga fora o que já existe. Quem domina o Simples hoje continua na frente. Veja como o Fator R funciona.

6. O que fazer agora

Diante de tudo isso, qual a atitude certa em 2026? Nem pânico, nem ignorar. O caminho é a preparação tranquila.

Em 2026: continue tocando o Simples normalmente (você está dispensado da alíquota-teste) e use o ano para entender o seu perfil de cliente, isso é o que vai definir a escolha de 2027. Quem vende para empresas grandes já pode simular os dois cenários. Em 2027: tomar a decisão (dentro ou fora do DAS) com base em números, não em achismo.

É exatamente nessa análise que a Wetax apoia as empresas do Simples no interior de São Paulo: entender o impacto real da Reforma no seu caso, simular as opções e decidir com segurança. A Reforma é grande, mas, para quem é do Simples e se prepara, ela é administrável, e pode até virar vantagem competitiva.

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